Há quase um ano, no mês de dezembro, escrevi um texto que nos dias de hoje está bastante atualizado. Falei das mudanças que nosso município estava passando nas áreas da política e administrativas. Por esse motivo gostaria de transcrever o mesmo neste novo texto fazendo alguns adendos.
O município de Paraipaba está
experimentando muitas transformações no campo político e administrativo. No que
se refere ao campo político recentemente tivemos uma eleição municipal em que
um grupo político que há mais de 30 anos se revezava no poder com seus
apoiadores foram derrotados nas urnas. Uma família que ora se estabelecia no
Paracuru, ora se estabelecia no município de Paraipaba. Desde de 1982 que essa
prática se repetia. Sempre digo que ninguém está no poder, ou melhor, ocupa um
cargo político a força, e sim, que o mesmo foi conduzido pelo voto da maioria.
Não me atrevo a dizer que o povo errou, no entanto, a mudança é um sinal de que
o político não atingiu os anseios da comunidade, por isso não foi reconduzido
novamente.
E
no caso do município de Paraipaba foi uma mudança significativa, pois estávamos
a beira de criarmos um califado, ou se você quiser, de um sistema feudal,
que anelava se prolongar no poder, tentando chegar a uma 4ª geração de um clã
político e ainda com um discurso de mudança.
Imagino
que todos saibam que esse tipo de sistema político tende sempre a abusar do
poder, passando a se comportar de modo arbitrário e consequentemente
ditatorial.
Em
governos democráticos existe a liberdade de expressão e a manifestação de
outros direitos coletivos e individuais. Diante dessa argumentação podemos
fazer uma leitura dos trinta anos que me referi acima.
Nunca
nesse período de 30 anos se criou um sindicato que representasse qualquer
classe de trabalhadores e que se reivindicasse qualquer direito trabalhista.
Quando havia qualquer manifestação nesse sentido a retaliação era imediata.
Exonerações sumarias, sem ampla defesa e contraditório. Sem direito de crítica
ou a opinião. Nesse tempo não se atendia lideres comunitários, associações e
representantes de classes e suas pautas.
Paraipaba
está prestes a completar 30 anos de emancipação política e já começou a dar os
seus primeiros passos em direção a maturidade. Mas ainda se sente o odor
da política vivida há tempos atrás e dos seus representantes. Estes desejosos
para voltarem a ocupar a pauta política e histórica de nossa cidade. São
pessoas em que nenhum momento pensaram ou buscam o bem social, o possuem um
ideal de comunidade, ou um sentimento de nobreza em relação ao nosso município.
Nas
eleições presidenciais de 2014, muitos pediram o retorno da ditadura militar,
pediram uma intervenção militar. Parece loucura, mais muitos que tinham e tem
esse discurso são tidos como letrados ou informados. Quem ler ou quem passou os
olhos em um livro de história sabe que a ditadura e que qualquer governo
autoritário, mata, tortura a todos que tem opinião contraria as sua concepção.
E me parece que em Paraipaba temos grupos interessados no retorno de fantasmas
antigos, de assombrações, de corruptos, do assistencialismo e de outros ismos
nocivos.
Estamos finalizando o terceiro ano da administração eleita em 2012, e daqui a dois anos teremos novas
eleições, em que estaremos atestando a qualidade do governo atual, podendo
reconduzi-lo ou substituí-lo por outro.
Detalhe de suma importância, no
caso de renovação, venhamos escolher o novo, o inédito, o esperançoso, o
inovador. Isso é possível, basta fazermos uma analise de quem já teve sua
oportunidade. O interessante da democracia é o fato de que ela nos dá a
oportunidade de não cometermos o mesmo erro. Porque podemos mudar e continuar
mudando sem se repetir o passado.
Paraipaba
não é mais a mesma, ela está se tornando visível no Ceará e no Brasil. Uma
Paraipaba que já tem uma nova geração de jovens. De jovens que frequentam a
universidade e escolas profissionalizantes, de homens e mulheres com uma nova
cultura e mentalidade. Cada vez mais a Paraipaba de 02 de fevereiro de 1985 vem
se transformando e quiçá jamais retroceder.
Como disse há quase uma um ano escrevi o texto acima e me parece que o mesmo está bem atualizado. Sou um leitor assíduo de "O príncipe" e "A arte da Guerra". E o que percebi em seus textos é que quando o Príncipe é bom demais ou mau de mais, ele tende a ser deposto por seu principado. E também quando ele é fraco, tende a gerar impunidade, e com isso não tem o respeito do seus liderados ou comandados. O resultado é surgimento de conspirações e rebeliões. E quando um general não tem a força e liderança o seu exército se dispersa e não tem ânimo para pelejar nas guerras. E o mais grave, é que o reino ou exercito fica sendo alvo de aliciadores estrangeiros, gente de outras terras, sempre com a promessa de dias melhores.
Talvez, seja isso que esteja acontecendo em Paraipaba. Há uma proliferação de grupos políticos que almejam o trono ou comando da nossa cidade. No cenário atual, temos estrangeiros de outros países querendo comandar ou administrar o nosso reino, sem se quer ter uma linhagem ou proximidade com o povo, apenas com um discurso demagogo. Também temos desertores de outros exércitos querendo ser generais liderando soldados desertores e soldados de outras terras. Temos ex-príncipes querendo o reinado de novo. Temos também o clero querendo o gosto de governar de novo. Temos outros principados que há muitos anos deixaram o reino querendo reinar novamente. Somente devo lembrar aos pretensos ocupantes de cargos príncipes e generais, que os autores do dois livros que citei acima, afirmam que o principado e o exército não esquecem dos seus líderes pelo que fizeram quando estavam em seus postos de governo.
Dr. Paulo Mourão