O EFEITO GAROTINHO
Quem não se lembra do conhecido político carioca Anthony Garotinho e de sua
esposa Rosinha Mateus, ambos, ex-governadores do Estado do Rio de Janeiro, que
emplacaram como expoentes do mundo evangélico. No seu livro “virou o carro,
virou minha vida”, Garotinho fala da sua conversão ao cristianismo, mais
especificamente de sua filiação ao reino dos crentes, narrando sua mudança de
vida.
A partir desse momento deu-se início ao “EFEITO GAROTINHO”, que promoveria a
busca desenfreada por parte dos evangélicos ao poder. Usei pela primeira vez
esse termo na extinta Rádio Paraipaba em um programa evangélico, na ocasião me
manifestei contra tal posicionamento dos crentes em relação à política nacional,
estadual e municipal. Não me posicionei de forma contrária por simples capricho.
O que me motivou foi à falta de fundamentação para o discurso de Garotinho e de
outros pseudos lideres evangélicos. O discurso de que “CRENTE VOTA EM CRENTE”
foi à falácia criada na época para que os cristão-crentes votassem nos
candidatos crentes a cargos eletivos e tudo que estivesse ao alcance dos
mesmos. E os resultados dessa aberração todos sabem, o grau de corrupção
aumentou e diversos escândalos foram proporcionados, só para não deixar de
citar, você deve lembrar-se dos “sanguessugas”. A conseqüência é percebida nas
eleições de 2006 e (contexto estadual e nacional) e nas eleições municipais de
Paraipaba faz tempo que não se tem um evangélico, representante de deus. Inclusive
na Câmara de Vereadores de Paraipaba.
Fiz questão de me referir a esse episódio do “EFEITO GAROTINHO” porque ele
ainda se manifesta nos meios evangélicos. Atualmente concorre ao governo do Rio
de Janeiro. Na época de Garotinho, que era candidato a Presidente da República,
no recente pleito presidencial, novamente o discurso evangeliquês se
manifestou. Não com a faceta de que “crente vota em crente”, mas que os crentes
deveriam votar no candidato que era contra o aborto, homossexualismo, e a favor
da família. Todos nós ouvimos ou lemos algo com relação aos temas. Essa
abordagem deu o tom no segundo turno das eleições presidenciais passadas. Nomes
conhecidos no mundo dos crentes como Silas Malafaia, Manoel Ferreira, José
Wellington, figuraram como cabos eleitorais. Inúmeros pastores se mobilizaram.
No Ceará nas eleições passadas o mais do midiático dos pastores, Gesse Góis,
recebeu em um Buffet (Bárbaras) os representantes do candidato tucano. Em seu
programa fez um apologia direta ao candidato derrotado José Serra. Nessa
comédia trágica, o mais hilariante foi o discurso elaborado para apoiar o
Senador eleito Pimentel por partes de muitos crentes. A frase eleita pelos
inescrupulosos foi à história bíblica que conta a luta de Davi contra Sansão.
Na prática, Davi seria Pimentel e Golias seria Tasso Jereissate. E agora o Pr.
Everaldo e Marina Silva surgem com novos representantes do reino de deus.
Não sei se todos sabem que sou um crente, e por esse motivo me revolto contra
tamanha ignorância que há nos arraiais da cristandade. Homens que deveriam ser
exemplo para muitos usam de suas posições para manipularem gente humilde e de
boa fé somente para alimentarem seus ventres cobiçosos. Para ficar claro, não
desaprovo crente, cristão ou professo de qualquer religião a se envolver com
política partidária. O que condeno são pessoas que tem uma iminência no
segmento social que representam como formadores de opinião, para formar massa
de manobra. Acredito que pastores que querem candidatar-se devem deixar seus
ministérios e outros que estejam na mesma posição façam o mesmo. E se querem
apoiar um determinado candidato façam com a maior transparência possível, não
usando de expediente condenável, utilizado por pessoas sem a mínima condição
moral.
É ridículo um pastor, em praça (Praça do Ferreira) pública e em nome de Deus,
dizer que o mesmo escolheu fulano de tal para presidente, como fez o ex-deputado
federal Pedro Ribeiro, lembrando que o seu candidato não foi eleito. É ridículo
que um pasto (Henrique Jorge) em uma rádio de Fortaleza dizer que Deus revelou
ao mesmo que o prefeito de Fortaleza seria Moroni, na época candidato ao cargo,
e não a ex-prefeita, Luizianne Lins.
Como, crente, advogado, professor, acredito que a política pode ser praticada
por todos os cidadãos, inclusive os crentes. Mas essa abordagem religiosa
adotada pelos evangélicos é burra e desprovida de argumento racional, devendo
ser rejeitada até pelos ateus e mais céticos, pois esse deus apresentado por
estes é minúsculo e bastante conhecido.
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