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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

OS TRÊS GRANDES



SEU OTACÍLIO GRANDE E PAULO MOURÃO


Na história de muitas cidades do interior sempre se ouve falar de determinadas pessoas que se destacavam em seu trabalho, ofício ou arte. E na nossa cidade não poderia ser diferente. Quando penso nisso, me lembro de três figuras ilustres e queridas em nossa terra. Lembro-me dos três grandes. O seu Agenor, seu Otacílio Grande e o seu Mundico. O primeiro já nos deixou, e os outros dois ainda nos alegram. Você notou que eu ainda não disse que profissão eles exerciam, mas quem tem um pouco de Paraipaba, sabe que me refiro à profissão de barbeiro. E no caso aqui, dos três grandes barbeiros de Paraipaba. O seu Agenor tinha sua barbearia ao lado do seu Raimundo Néu, não era um grande espaço, no entanto, era muito difícil não ter um homem, rapaz ou menino, a espera de sua tesoura. Sua freguesia ficava esperando no beco pequeno ou nos bancos da pequena barbearia. Havia uma espécie de porta de duas bandas volta para rua, e um paninho branco que empatava do vento entrar e espalhar cabelo. Esse paninho também era o sinal que o seu Agenor estava trabalhando. Ele não era alto, contudo suas vestes eram impecáveis. Sempre com cabelo arrumado e barba feita. Gostava de cantarolar e de assobiar quando estava trabalhando. Sua navalha e tesouras embelezaram muito homem e menino, principalmente aos sábados, antes da feira, e também nas festas de outubro. Seu toque final era passar talco com uma escovinha, um tipo de pincel. Não posso esquecer-me do seu Otacílio grande. Também sua barbearia era modesta, cadeira antiga de ferro ou aço, ficava próximo ao seu Zeca Braga e da dona elisa. Sempre que ia estudar no Altina Laranjeira, via alguém sentado em sua velha cadeira. O seu cliente mais assíduo era seu Oldemburgo Braga. Ele nunca foi de sorri muito, mais conhecido por ser honesto e sério. Outro dote do seu Otacílio era da música, algo que trouxe da Paraipaba velha. Quase sempre se ouvia ele tocando seu trompete ou corneta, não sei bem, só sei que lá de casa se ouvia seus ensaios. E por fim, o seu Mundico, o mais franzino de todos, não menos talentoso. Esse atendeu em vários locais da nossa Paraipaba. Aprendeu seu ofício menino com o pai, e que transmitiu para os filhos. Sempre com uma prosa para contar e uma xícara de chá para seus amigos. Posso dizer que conheci os três, que não fiz a barba com nenhum, mas meu cabelo foi modelado pelos três. Os três grandes barbeiros de Paraipaba.


TEXTO: DR. PAULO MOURÃO

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